quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Hoje a noite tem luar

Podem te dar o mundo, mas só eu te transformei em poesia.
Karla Tabalipa


Na saída do restaurante, ele, sorrindo, perguntou-me se eu estava com frio. Ao ouvir minha resposta - um pouco - e na ausência de um casaco, passou o braço esquerdo em torno do meu pescoço, me abraçando.

Ele me levou até onde pudéssemos ver juntos as estrelas. Tive vontade de, ignorando por um momento sua presença, gritar àquele céu onde eu estava com a cabeça quando fiquei tanto tempo longe do responsável por tanto. Tantos sorrisos, tantos abraços, tantos momentos em que não desabei por nunca duvidar do vai ficar tudo bem que ele me dizia, mesmo mais desesperado que eu. Depois, tive vontade de abraçá-lo e não permitir que fosse a qualquer lugar onde não me encontrasse.


Desde que chegamos lá onde ficamos desprotegidos diante daquele céu tão escuro, nenhum de nós tinha dito uma palavra sequer. Quebrando o silêncio que havíamos nos permitido depois das longas conversas e animados sorrisos do jantar, ele, me puxando mais perto com o braço esquerdo envolto em meu pescoço, disse em voz baixa: senti sua falta.


Não consegui responder. Mergulhei nos seus olhos e vi todos os bilhetes deixados por ele pelos cantos da minha casa,
me desculpa, eu te amo, das últimas folhas do meu caderno que ele rabiscou e eu esqueci, e reencontrei depois de já não tê-lo por perto.

Suspirei. Sabia que aquele não era o momento de relembrar as lágrimas que deixamos cair. Não éramos fortes o suficiente pra isso.
Eu te amo, consegui dizer. Ele olhou o chão, mirou o céu e finalmente, me abraçando forte como sempre fez, sussurrou nossas últimas palavras antes que nos beijássemos novamente: isso era tudo que eu queria ouvir.

2 comentários:

  1. Faz teeempo que não me sinto assim.

    http://espelhoinverso.blogspot.com/

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